terça-feira, 17 de maio de 2022

2o Bimestre - Orientações para Prova e Redações

Preparação para Avaliação - 2o Bimestre 2022 - Imperialismo Séc XIX ------------------------- Após várias semanas tratando do tema, realizaremos em breve nossa avaliação - Espera-se que cada aluno demonstre melhoria em relação ao 1o bimestre especialmente em relação ao desenvolvimento de sua autonomia em criar um texto (estilo livre) que exponha aquilo que cada aluno (a) conseguiu entender durante as aulas, seus estudos e atividades.------------------------------------- Volto a lembrar que há infinitas opções de pesquisa autônoma nas mais diversas fontes - textos, livros, videoaulas, filmes, documentários etc etc e que como de costume, nada é obrigatório nem proibido nessa avaliação que busca fundamentalmente avaliar a capacidade de envolvimento, articulação e redação de um conteúdo previamente estabelecido. Portanto dê importância a sua preparação. ------------------------------------------------------------------------- Será a 2a vez que realizaremos uma avaliação e vc já conhece o modelo. ========================================================================== Ainda há tempo, ensaie previamente seu texto, tire suas dúvidas, e trabalhe para que apareça um bom resultado. --------------------------------------------------------------------------- Nota 2o Bimestre = 1- Prova Imperialismo + 2- Redação Imperialismo + 3- Redação 2o Bimestre ======================================================== 1- Prova escrita sobre o tema ‘Imperialismo Séc XIX’ ========================================================= 2- Proposta de Redação sobre o principal tema que tratamos no 2o Bimestre : Imperialismo do Séc XIX ( espera-se que esta redação sirva como preparação / ensaio para a prova) ========================================================== 3- Proposta de Redação sobre a realidade do nosso 2o Bimestre ========================================================== Prova escrita : mesmo modelo do 1o bimestre =========================================================== Redação Imperialismo Redação estilo livre sobre o tema estudado no 2o Bimestre - utilize suas anotações de aulas, fichamentos, informações obtidas em suas pesquisa e elabore um texto demonstrando o que vc aprendeu sobre o tema * é uma redação autoral, use suas palavras e faça o seu texto individual, textos copiados não serão considerados para nota ============================================================= Redação Processo Ensino Aprendizagem 2o Bimestre Utilizando pelo menos 20 das palavras abaixo faça uma redação tratando de aspectos sobre nosso processo ensino aprendizagem no 2o bimestre ============================================================== Palavras para usar na Redação sobre o nosso processo Ensino / Aprendizagem no 2o Bimestre 1- autonomia : capacidade de governar-se pelos próprios meios - direito de um indivíduo tomar decisões livremente; independência moral ou intelectual.--------------------------- 2- dependência : estado ou qualidade de dependente; subordinação, sujeição.- necessidade de proteção, de arrimo.------------------ 3- coerência : qualidade, condição ou estado de coerente - ligação, nexo ou harmonia entre dois fatos ou duas ideias; relação harmônica, conexão.----------------------------------- 4- realidade : qualidade ou característica do que é real. - o que realmente existe; fato real; verdade. "seus sonhos tornaram-se realidade”---------------------------------------- 5- maturidade : estado, condição (de estrutura, forma, função ou organismo) num estágio adulto; condição de plenitude em arte, saber ou habilidade adquirida - termo último de desenvolvimento.-------------------------------------------- 6- responsabilidade : obrigação de responder pelas ações próprias ou dos outros - caráter ou estado do que é responsável.-------------------------------------- 7- trabalho O emprego, o ofício ou a profissão de alguém - Grande dificuldade; trabalheira - Responsabilidade. - Conjunto das atividades realizadas por alguém para alcançar um determinado fim ou propósito.- Os mecanismos mentais ou intelectuais utilizados na realização de algo; lugar em que são aplicados esses mecanismos: viver perto do seu trabalho. - Atenção empregada na realização ou fabricação de alguma coisa; esmero. - Desenvolvimento ou a elaboração de algo - Resultado dessa fabricação - Lição ou exercício destinado à prática de: trabalho escolar. - Produto fabricado a partir do funcionamento de algo - Ação intermitente de uma força vinda da natureza acrescida ao seu efeito - [Biologia] Quaisquer fenômenos realizados numa matéria ou substância, possibilitando uma alteração de seu aspecto ou forma. - [Política] Exercício humano que configura um elemento fundamental na realização de bens e/ou serviços. - [Política] Reunião dos indivíduos que fazem parte da vida econômica de uma nação. - [Física] Grandeza obtida a partir da realização de uma força e a extensão percorrida pelo ponto de sua execução em direção a mesma. - [Medicina] Processo orgânico de recuperação realizado no interior de certos tecidos: trabalho de cicatrização. - [Religião] Aquilo que é oferecido para receber proteção dos orixás.----------------------------------- 8- infantilidade- qualidade do que é infantil; criancice - atitude ou fala própria de crianças; puerilidade.----------------------------------- 9- hipocrisia - característica do que é hipócrita; falsidade, dissimulação.- ato ou efeito de fingir, de dissimular os verdadeiros sentimentos, intenções; fingimento, falsidade.-------------------------------------------------------- 10- educação - Ação ou efeito de educar, de aperfeiçoar as capacidades intelectuais e morais de alguém - Processo em que uma habilidade se desenvolve através de seu exercício contínuo------------------------------------------------- 11- vergonha desonra que ultraja, humilha; opróbio.- o sentimento desse ultraje, dessa desonra ou humilhação---------------------------------------- 12- falsidade : qualidade do que é falso; característica do que é contrário à verdade ou que dela se aproxima apenas na aparência. - o que é falso ou enganoso; mentira, calúnia.----------------------------------------------------------------------- 13- alienação : ato ou efeito de alienar(-se); alheação, alheamento, alienamento, alucinação------------------------------------------------ 14- violência : qualidade do que é violento.- ação ou efeito de empregar força física ou intimidação moral contra; ato violento.-------------------------------------------- 15- preguiça : aversão ao trabalho; ócio, vadiagem - estado de prostração e moleza, de causa orgânica ou psíquica.------------------------------------------ 16- atitude : maneira como o corpo (humano ou animal) está posicionado; pose, posição, postura. - comportamento ditado por disposição interior; maneira, conduta.----------------------------------------------------------- 17- vazio : que não contém nada (ou contém apenas ar) ou quase nada.- em que não há ou há poucos ocupantes ou frequentadores.------------------------------------- 18- medo : estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência.- temor, ansiedade irracional ou fundamentada; receio.----------------------------------------------- 19- covardia - comportamento que denota ausência de coragem; atitude, gesto que se caracteriza pelo temor, pelo acanhamento, pela falta de ousadia - violência contra o mais fraco.----------------------------------------------------- 20- decência conformidade com os padrões morais e éticos da sociedade; dignidade, correção, decoro - conformidade com o que se espera da sua apresentação, qualidade, utilidade etc.-------------------------------------------------------------- 21- solidão - estado de quem se acha ou se sente desacompanhado ou só; isolamento.- caráter dos locais ermos, solitários.------------------------------------------------- 22- civilização ato ou efeito de civilizar(-se) - conjunto de aspectos peculiares à vida intelectual, artística, moral e material de uma época, de uma região, de um país ou de uma sociedade.--------------------------------------------------------------- 23- barbárie: qualidade, condição ou estado de bárbaro; barbarismo, selvageria.- erro crasso de linguagem ou de escrita; barbarismo, barbaridade.----------------------------------------------------------------- 24- escola : estabelecimento que se destina ao ensino, público ou particular; colégio - edifício, construção ou prédio onde fica esse estabelecimento - conjunto dos adeptos de um mestre ou de uma doutrina filosófica, literária etc.------------------------------------------------------------- 25- casa : edifício de formatos e tamanhos variados, ger. de um ou dois andares, quase sempre destinado à habitação - família; lar.-------------------------------------------- 26- público : relativo ou pertencente a um povo, a uma coletividade- relativo ou pertencente ao governo de um país, estado, cidade etc.--------------------------------------------------- 27- privado : favorito, conselheiro ou protegido de um soberano; válido.- destituído de (algo); despojado, desapossado.------------------------------------------------------------- 28- vontade- faculdade que tem o ser humano de querer, de escolher, de livremente praticar ou deixar de praticar certos atos.- força interior que impulsiona o indivíduo a realizar algo, a atingir seus fins ou desejos; ânimo, determinação, firmeza.--------------------------------------------------- 29- obrigação : ação de obrigar; fato de estar obrigado a fazer uma ação.- aquilo que é ou se tornou necessidade moral de alguém; dever, encargo.---------------------------------------------------------- 30- honestidade : qualidade ou caráter de honesto, atributo do que apresenta probidade, honradez, segundo certos preceitos morais socialmente válidos.- característica do que é decente, do que tem pureza e é moralmente irrepreensível; castidade.------------------------------------------------- 31- interesse : o que é importante, útil ou vantajoso, moral, social ou materialmente.- estado de espírito que se tem para com aquilo que se acha digno de atenção.------------------------------------------------------------------ 32- conhecimento ;. entendimento sobre algo; - ação de entender por meio da inteligência, da razão ou da experiência. - Ação de dominar uma ciência, uma arte, um método, um procedimento etc--------------------------------------------------------- 33- ignorância : estado de quem não está a par da existência ou ocorrência de algo.- estado de quem não tem conhecimento, cultura, por falta de estudo, experiência ou prática.------------------------------------------------------------- 34- ilusão : erro de percepção ou de entendimento; engano dos sentidos ou da mente; interpretação errônea.- efeito artístico produzido pelo ilusionismo.---------------------------------------------------------- 35- criança : ser humano na fase da infância, que vai do nascimento à puberdade. - filho, rebento; cria.----------------------------------------------------- 36- adolescente : relativo, peculiar a ou em processo de adolescência, de amadurecimento; jovem. - que se encontra em processo de maturação; que está no início de um processo; que ainda não alcançou todo o vigor.------------------------------------------------------------------ 37- verdade : propriedade de estar conforme com os fatos ou a realidade.- coisa, fato ou evento real.----------------------------------------------- 38- mentira : ato ou efeito de mentir; engano, falsidade, fraude.- hábito de mentir.------------------------------------------------- 39- respeito : ato ou efeito de respeitar(-se).- consideração, deferência, reverência.------------------------------------------------- 40- seriedade : qualidade ou caráter de sério - gravidade de maneiras.--------------------------------------------------------------- 41- brincadeira : jogo, divertimento, esp. de crianças; passatempo. - gracejo, zombaria, piada.---------------------------------------------- 42- crise : o momento que define a evolução de uma doença (para melhor ou pior). dor paroxística, com distúrbio funcional em um órgão.----------------------------------- ========================================================================================================= Mais algumas sugestões para sua pesquisa e preparação : Imperialismo https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/imperialismo BBC Racismo Científico Darwinismo social e Eugenia - https://www.youtube.com/watch?v=hPYZi_AlTh4&t=52s A entrada das teorias raciais no Brasil - https://www.youtube.com/watch?v=93f7nkbD7tY 8 canais do YouTube para quem ama história https://querobolsa.com.br/revista/8-canais-do-youtube-para-quem-ama-historia Os 10 melhores canais de História no Youtube https://www.historiailustrada.com.br/2021/04/os-10-melhores-canais-de-historia-no.html Filmes de Imperialismo Europeu https://apaixonadosporhistoria.com.br/filmes/imperialismo-europeu GUIA indica filmes e livro para entender a colonização da África https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/guia-indica-filmes-e-livro-para-entender-a-colonizacao-da-africa/ Imperialismo, Colonialismo e Primeira Guerra https://www.youtube.com/watch?v=M8wznoKsYQU

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A ditadura e o ‘jeitinho brasileiro’, segundo Maria Rita Kehl POR MORRIS KACHANI Para Kehl, ditadura deu vazão a sadismo que as pessoas não se autorizam Cinquenta anos depois do golpe, como a sociedade brasileira lida com a memória deste período? Como funciona o subterrâneo psíquico de quem nela atuou, seja como agente repressor ou na luta armada? Qual seria o saldo do inconsciente coletivo? A psicanalista Maria Rita Kehl, integrante da Comissão Nacional da Verdade, recebeu a reportagem em seu consultório no bairro de Perdizes, em São Paulo, para uma conversa que teve o tempo de duração de uma sessão de análise – 40 minutos. Kehl foi editora do jornal Movimento, um dos mais importantes veículos da imprensa alternativa durante a ditadura. Atende pacientes desde 81, é autora de oito livros, e venceu o prêmio Jabuti de 2010 com “O tempo e o cão”. Como lidamos com a memória do período da ditadura? Muito mal. A ditadura espalhou uma ideia que até hoje funciona na cabeça dos desinformados, de que era preciso “pôr ordem na bagunça”, ou “acabar com a corrupção”, e de que se houve alguma violência, ela foi pouca e necessária. Então até hoje, para muitos, o golpe está associado a isso, embora a corrupção não tenha acabado, pelo contrário. E nem a ‘bagunça’. Agora temos os protestos e o governo Dilma, que é inábil. Não digo que não seja uma boa governante mas não tem habilidade para deixar todo mundo contente, como o Lula. Voltando à ditadura, há quem se recuse a se referir a ela como tal e afirme que a tortura inexistiu. O autor judeu italiano Primo Levi, que sobreviveu aos campos de concentração na Segunda Guerra, escreveu que seu maior pesadelo era imaginar que ao contar sua história as pessoas não iriam acreditar. E é isso que acontece. Elas estão tão reprimidas no seu imaginário que não têm coragem de fantasiar situações desta natureza. Existe algo de tipicamente brasileiro nesta relação? O ponto central é a Lei da Anistia, especificamente no tópico que determina que ninguém seja julgado. Isso cria uma equivalência entre os que arriscaram a própria vida com os que exerceram a tirania. Existe um ‘jeitinho brasileiro’ na maneira como esse pacto foi costurado e na rápida reacomodação da sociedade, com ninguém tendo sido punido. Arnaldo Jabor fala sobre isso em “Tudo Bem”. E é o que Sérgio Buarque de Holanda chama de ‘homem cordial’. Este homem pode ser brutal no trato com empregados por exemplo, mas depois deixa barato pra dizer que ‘todo mundo se ama’. E assim a dominância de classes se perpetua. Após a escravidão houve também uma reacomodação rápida da sociedade, não? Sim, e a um preço horroroso, com hordas de escravos tendo sido jogados na rua. Nos Estados Unidos foi diferente, cada um ganhou um palmo de terra para trabalhar. Foi por isso que o cineasta Spike Lee chamou sua produtora de 40 Acres and a Mule. Em alguns países a revisão da ditadura é tratada de forma diferente. Veja o caso da Argentina. É claro que muito mais gente morreu por lá, mas isso não é parâmetro. O fato é que até os presidentes foram julgados e encarcerados. Como uma pessoa comum se torna torturadora? Instaurou-se um regime político autoritário sem uma oposição consentida. Só aí já temos uma ditadura. E se criou um mecanismo semi-secreto de abusos cuja prática dependia dos traços pessoais de cada agente do Estado. Assim a tortura se institucionaliza, mas nunca no papel. Não foi um desvio patológico. Virou um mecanismo de controle e repressão. Diria até que com a tortura o principal objetivo era criar um clima de terror. Só a intimidação não basta, é preciso mostrar que o regime também é capaz de matar. E a tortura enquanto método de investigação? Fica claro que a tortura não era utilizada para obter informação. Não é um mecanismo científico. Em geral tem uma hora que o torturado diz qualquer coisa, diante de tanto horror. Como funciona a estrutura psíquica do torturador? Ele sabe que está fazendo algo que não pode, tanto que até hoje pouca gente admite que a praticou. Raros são os depoimentos como o do coronel Paulo Malhães, em que assume que torturou, matou e ocultou cadáveres. O torturador sabe que se trata de um ato de exceção, escondido – mas o pratica porque está podendo. Tem um jogo sádico aí. Isso não quer dizer que todo torturador é um perverso em sua estrutura psíquica. É o que, então? Dizia Lacan que o superego não é uma instância ética. Seu funcionamento é muito paradoxal. No sentido de que o superego não é apenas um interditor, ele também nos encoraja a buscar o caminho mais fácil para exercer o narcisismo infantil. É como se ele estivesse dizendo: “você não pode gozar mas tem que continuar tentando”. E se tem um Estado falando “goza, meu filho” para um Sebastião Curió, para um Calhandra, para um Luis Maciel, deu no que deu. Em outras palavras, a prerrogativa para ficar fora da lei é permanente, mas desde que seja sem um sentimento de culpa. Esse é um traço do neurótico. E se o Estado o autoriza, o perigo é imenso. Isso explica como os alemães abraçaram o nazismo. O povo alemão não ficou perverso de uma hora para outra. Foi o Estado que deu vazão ao instinto e ao sadismo que as pessoas não se autorizam por causa própria. O filósofo Slavoj Zizek resumiu muito bem o papel do superego: se você pode, você deve. A ditadura venceu Vladimir Pinheiro Safatle Hoje é o dia que marca, afinal, os 50 anos do golpe militar ocorrido em 1º de abril de 1964. Durante as últimas semanas, a sociedade brasileira foi obrigada a ler afirmações de personagens como o senhor Leônidas Pires Gonçalves, primeiro ministro do Exército pós-ditadura, insultando o país ao dizer que: "a revolução (sic) não matou ninguém" e que ela teria sido uma necessidade histórica. Antes, correntistas do banco Itaú, uma instituição tão organicamente ligada à ditadura que teve um de seus donos, o senhor Olavo Setúbal, nomeado prefeito biônico da cidade de São Paulo, receberam uma singela agenda onde se lia que o dia de hoje seria o aniversário da dita "revolução". Ninguém, nem nas Forças Armadas nem no setor empresarial que tramou e alimentou o golpe teve a dignidade de pedir à sociedade perdão por um regime que destruiu o país. É claro que ainda hoje há os que procuram minimizar a ditadura afirmando que ela foi responsável por conquistas econômicas relevantes. Raciocínio semelhante foi, por um tempo, utilizado no Chile. Tanto em um caso quanto no outro esse raciocínio é falso. A inflação brasileira em 1963 era de 78%. Vinte anos depois, em 1983, era de 239%. O endividamento chegou, ao final da ditadura, a US$ 100 bilhões, legando um país de economia completamente cartelizada, que se transformara na terceira nação mais desigual do mundo e cujas decisões eram tomadas não pelo ministro da economia, mas pelos tecnocratas do Fundo Monetário Internacional chefiados pela senhora Ana Maria Jul. A concentração e a desigualdade se acentuaram, o êxodo rural destruiu nossas cidades, a educação pública foi destroçada, a começar por nossas universidades. Mas o maior exemplo desse revisionismo histórico encontra-se na crença, de 68% da população brasileira, de que aquele era um período de menos corrupção. Alguém deveria enviar para cada uma dessas pessoas os dossiês de casos como: Coroa-Brastel, Capemi, Projeto Jari, Luftalla, Banco Econômico, Transamazônica e Paulipetro. Tudo isso apenas demonstra o fracasso que foi, até agora, o dever de memória sobre a ditadura. Mas o que poderíamos esperar de governos, como o de Fernando Henrique Cardoso, cujos fiadores eram Antônio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen, e de Luiz Inácio Lula da Silva/Dilma Rousseff, que tem em José Sarney um de seus pilares e em Antonio Delfim Netto um de seus principais conselheiros? Como esperar uma verdadeira política contra a ditadura de governos que dependem de figuras vindas diretamente da ditadura? Foi assim, de maneira silenciosa, que a ditadura venceu. Vladimir Pinheiro Safatle é um filósofo e professor livre-docente da Universidade de São Paulo. Notabilizou-se ao grande público sobretudo por sua atividade como colunista no jornal Folha de S. Paulo ----------------------------------------------- ------------------------------------------------- ----------------------------------------- Trevas, nunca mais Clovis Rossi 02/01/2014 Passei a noite de 31 de março de 1964 para 1º de abril pulando, no DKW azul de meu pai, da sede do governo paulista, então no Palácio dos Campos Elíseos, para o QG do Exército, à época na rua Conselheiro Crispiniano, no centrão, cobrindo para o jornal carioca "Correio da Manhã" o que mal sabia que viria a ser o golpe que faz 50 anos logo mais. Após 50 anos, só um fanático negaria o quanto o país mudou para melhor em termos institucionais, por muito que falte para chegar a ser plenamente civilizado. Para a grande maioria dos brasileiros, que não viveu aquela madrugada nem as trevas densas que a ela se seguiram, é difícil compreender o avanço que é os jornalistas já não precisarmos mais fazer plantão às portas dos quartéis. Ou ser obrigado a decodificar o Almanaque do Exército para tentar entender se a promoção a general de fulano ou beltrano podia significar mais fechamento ou alguma abertura. Por falar em "Correio da Manhã", meu primeiro emprego, acabou sufocado pela ditadura, mesmo tendo publicado dois dos três editoriais mais notórios de todos os tempos ("Basta" e "Fora"), cobrando a deposição do presidente João Goulart. Depois se arrependeu e passou a ser crítico do novo regime, o que levou a uma implacável perseguição, incluída forte pressão sobre os anunciantes, até quebrar. Um caso como esse, apenas uma entre as milhares de arbitrariedades e violências praticadas no período 1964/1985, torna até risível, hoje, achar que os governos do PT pretendem acabar com a liberdade de imprensa. Que gostariam de ter uma mídia domesticada, gostariam, como todos os governos, de qualquer signo. Mas, na democracia, não dá para fazer o que a ditadura pôde fazer com o "Correio da Manhã". Na democracia, quem quer grita "onde está Amarildo" –e os policiais responsáveis por seu desaparecimento acabam descobertos e punidos. Na ditadura, milhares de gritos similares foram silenciados e, mesmo depois de encerrado o ciclo, ainda não se chegou à verdade, do que dá prova a existências das "Comissões da Verdade". O golpe que faz 50 anos em 2014 inaugurou um ciclo nefando na América Latina. Primeiro, caiu a Argentina (1966, com uma recaída 10 anos depois), depois o Uruguai, o Chile –até que todos os países sul-americanos e a maioria dos latino-americanos se transformassem em ditaduras, exceção feita a Venezuela, Colômbia, México e Costa Rica. Cinquenta anos depois, caiu na rotina a realização de eleições presidenciais. Serão sete só este ano (El Salvador, Costa Rica, Colômbia, Panamá, Bolívia, Uruguai e o próprio Brasil). No Brasil, aliás, será a sétima consecutiva, santa rotina que marca um recorde, como lembrou ontem Fernando Rodrigues. É tal a rotina que posso ter a certeza de que jamais voltarei a fazer plantão à porta dos quartéis, mas nem por isso dá para esquecer que levou 35 anos para que um presidente legitimamente eleito passasse a faixa para outro presidente eleito nas mesmas condições. Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. É autor de obras como 'Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo' e 'O Que é Jornalismo'. ------------------------------------------------------------------------------------ -------------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------------------- Nunca mais? Jânio de Freitas 01/04/2014 Ninguém imaginou que o capitalismo voltasse a imperar na imensidão que perdera, mais de 70 anos antes, para o comunismo da União Soviética e seus domínios posteriores. Os horrores da chamada Primeira Guerra Mundial, de 1914-18, e as providências para a preservação da paz disseminaram a crença fervorosa de que as nações e a própria humanidade entravam em nova era. Os embates de interesses e poderes só se dariam e se solucionariam em conferências, e nunca mais em campos de batalha. Passados apenas 20 anos, começava a Segunda Guerra Mundial, a das bombas atômicas sobre cidades. Os exemplos gritantes do mundo alheio, citáveis ao infinito, têm ecos por aqui, para confirmar que a história faz uso de regras universais, não de desarranjos particulares. O Getúlio ditador foi derrubado em 1945 pelos militares da FEB, lê-se ainda nos livros sobre o período, que voltaram da guerra impregnados das convicções democráticas, absorvidas no convívio com os americanos. Em 1954, Getúlio, presidente por legítima eleição, recusou-se com o suicídio a ser derrubado pelo golpe militar. Eram os mesmos militares guardiães da democracia. Outra vez inspirados pelos americanos, sob o comando do embaixador Berle Jr. Imposta ao golpismo a posse de Juscelino, eleito com legitimidade, seguiram-se cinco anos em que a dissolução quase pacífica de dois levantes militares consolidara o sentimento de estabilidade institucional e democrática. Não havia mais ambiente para golpes, no país que crescia e se projetava com a pujança sintetizada em sua nova capital. E assim foi –por oito meses. Em agosto de 61, na renúncia de Jânio Quadros, o golpismo militar recusa a posse do vice João Goulart, sendo derrotado pela rebelião gaúcha do governador Brizola. O golpe de 64 foi a retomada vitoriosa do golpe derrotado em 61, que, por sua vez, tentara continuar o golpe incompleto, em 54, contra o getulismo, suas teses nacionalistas e de menor desigualdade social. Lá estavam, cabelos brancos e barrigudos por trás das armas, aqueles militares jovens e de meia-idade que chegaram da Itália como vanguarda do "Exército pela democracia". O cinquentenário de 64 mostra-se como um brado uníssono de "ditadura nunca mais". Talvez seja assim. Mas só poderá ser se consumadas duas condições. O ensino das escolas militares precisaria passar por reformulação total. A do Exército, mais que todas. Nas escolas militares brasileiras não se ensinam apenas as matérias técnicas e acadêmicas apropriadas para os diferentes ramos da carreira militar. Muito acima desse ensino, as escolas militares ocupam-se de forjar mentalidades. Uniformes, planas, infensas à reflexão, e, por aí já está claro, ideológica e politicamente direcionadas. São produtos criados ainda para a Guerra Fria. É por isso que se vê, há tantos anos, tão igual solidariedade e defesa dos atos e militares que, para a lei e para a democracia, são criminosos, muitos de crimes hediondos e de crimes contra a humanidade. As escolas militares não preparam militares para a democracia. Outra condição é que se propague a noção de soberania, tão escassa nos níveis socioeconômicos que influenciam a condução do país. Em seu artigo naFolha de ontem, o embaixador Rubens Ricupero contou de documentos por ele vistos, na Biblioteca Lyndon Johnson, em que os "reformistas" conduzidos por Roberto Campos, no governo Castello Branco, sujeitavam aos americanos até a revisão do currículo escolar. Se a imaginação conseguir projetar a mesma conduta para o sistema financeiro privado, por exemplo, pode-se ter uma ideia dos obstáculos que a construção do desenvolvimento brasileiro enfrenta. Nunca mais? Pode ser. Ou: depende. O certo é que a história não faz gentilezas. ----------------------------------------------------------- Janio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa com perspicácia e ousadia as questões políticas e econômicas

sábado, 6 de abril de 2013

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL Texto Tom Zé

COM DEFEITO DE FABRICAÇÃO TOM ZÉ http://grooveshark.com/#!/search?q=COM+DEFEITO+DE+FABRICA%C3%87%C3%83O http://www.youtube.com/watch?v=WOqkmtaRkzA Defeito de Fabricação- O Terceiro Mundo tem uma crescente população. A maioria se transforma em uma espécie de "andróides", quase sempre analfabetos e com escassa especialização para o trabalho. Isso acontece aqui nas favelas do Rio, São Paulo e do Nordeste do país. E em toda a periferia da civilização. Esses andróides são mais baratos que o robô operário fabricado em Alemanha e Japão. Mas revelam alguns "defeitos" inatos, como criar, pensar, dançar, sonhar; são defeitos muito perigoso para o Patrão Primeiro Mundo. Aos olhos dele, nós, quando praticamos essas coisas por aqui, somos "andróides" COM DEFEITO DE FABRICAÇÃO. Pensar sempre será uma afronta. Ter idéias, compor, por exemplo, é ousar. No umbral da História, o projeto de juntar fibras vegetais e criar a arte de tecer foi uma grande ousadia. Pensar sempre será . TOM ZÉ

terça-feira, 26 de março de 2013

Filmes Rev Industrial - Imperialismo

"Daens, Um Grito de Justiça" http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/daens-um-grito-de-justica http://filmesdoxi.blogspot.com.br/2012/08/daens.html Os Miseráveis http://www.osmiseraveis-ofilme.pt/ ---------------------------------------------------------------------------------------------- ---------------------------------------------------------------------------------------------- Germinal http://meuartigo.brasilescola.com/sociologia/resenha-filme-germinal-1.htm --------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------- Tempos Modernos, de Charles Chaplin http://www.youtube.com/watch?v=ieJ1_5y7fT8 http://pt.shvoong.com/humanities/1709223-cr%C3%ADtica-ao-filme-tempos-modernos/ _____________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ Pelle, o conquistador http://www.youtube.com/watch?v=R4DiJkeWgnE Lola Montès, de Max Ophüls http://www.revistacinetica.com.br/lolamontes.htm ------------------------------------------------------------------------ ------------------------------------------------------------------------ Oliver Twist http://www.adorocinema.com/filmes/filme-53969/ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Epitáfio para o século XX

Epitáfio para o século XX 
Affonso Romano de Sant'Anna
1. 

Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais. 

2. 

Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais. 

3. 

Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática
atitude
-nux vômica. 

4. 

Aqui jaz o século
que um muro dividiu.
Um século de concreto
armado, canceroso,
drogado,empestado,
que enfim sobreviveu
às bactérias que pariu. 

5. 

Aqui jaz um século
que se abismou
com as estrelas
nas telas
e que o suicídio
de supernovas
contemplou.
Um século filmado
que o vento levou. 

6. 

Aqui jaz um século
semiótico e despótico,
que se pensou dialético
e foi patético e aidético.
Um século que decretou
a morte de Deus,
a morte da história,
a morte do homem,
em que se pisou na Lua
e se morreu de fome. 

7. 

Aqui jaz um século
que opondo classe a classe
quase se desclassificou.
Século cheio de anátemas
e antenas,sibérias e gestapos
e ideológicas safenas;
século tecnicolor
que tudo transplantou
e o branco, do negro,
a custo aproximou. 

8. 

Aqui jaz um século
que se deitou no divã.
Século narciso & esquizo,
que não pôde computar
seus neologismos.
Século vanguardista,
marxista, guerrilheiro,
terrorista, freudiano,
proustiano, joyciano,
borges-kafkiano.
Século de utopias e hippies
que caberiam num chip. 

9. 

Aqui jaz um século
que se chamou moderno
e olhando presunçoso
o passado e o futuro
julgou-se eterno;
século que de si
fez tanto alarde
e, no entanto,
-já vai tarde. 

10. 

Foi duro atravessá-lo.
Muitas vezes morri, outras
quis regressar ao 18
ou 16, pular ao 21,
sair daqui
para o lugar nenhum. 

11. 

Tende piedade de nós, ó vós
que em outros tempos nos julgais
da confortável galáxia
em que irônico estais.
Tende piedade de nós
-modernos medievais-
tende piedade como Villon
e Brecht por minha voz
de novo imploram. Piedade
dos que viveram neste século
per seculae seculorum.
2- “A hegemonia, da forma como a entendo, envolve liderança, capacidade de mobilizar outros países de acordo com uma agenda particular. Em outras palavras, significa fazer com que os outros países acreditem em um consenso em torno desse líder, na sua capacidade de agir em favor do interesse dos liderados. Nesse sentido, os Estados Unidos não são mais hegemônicos. Por enquanto, são a maior economia, e aquela com o maior aparato militar. E é precisamente por isso que podem dominar: porque têm um impacto sobre o mundo muito maior do que qualquer outra nação. Esse domínio, contudo, não significa que os outros países necessariamente seguirão sua liderança. Na verdade, eles não a seguem mais. Os Estados Unidos permanecerão dominantes, mas não aptos a liderar o mundo como fizeram, por exemplo, ao final da Guerra Fria. Naquele período, eles eram capazes não só de criar alianças políticas e combinações, mas também tinham o poder de induzir europeus e japoneses a superar antigas diferenças com o objetivo de reconstruir a economia mundial. Agora, os Estados Unidos não têm mais o poder para exercer a liderança rumo à reconstrução. É assim que eles têm o domínio sem a hegemonia. “Giovanni Arrighi, professor de Sociologia da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore 3- “Assim como nos últimos anos entraram na moda certos produtos light – o tabaco, algumas bebidas e certos alimentos –, também se foi gerando um tipo de homem que poderia ser qualificado como o homem light. Qual é o seu perfil psicológico? Como poderia ser definido? Trata-se de um homem relativamente bem informado, porém com escassa educação humana, entregue ao pragmatismo, por um lado, e a bastantes lugares comuns, por outro. Tudo lhe interessa, mas só a nível superficial; não é capaz de fazer a síntese daquilo que recolhe e por conseguinte, foi-se convertendo num sujeito trivial, vão, fútil, que aceita tudo mas que carece de critérios sólidos na sua conduta. Nele tudo se torna etéreo, leve, volátil, banal, permissivo. Presenciou tantas mudanças, tão rápidas e num tempo tão curto, que começa a não saber a que ater-se ou, o que é o mesmo, faz suas afirmações como «tudo vale», «tanto faz» ou «as coisas mudaram».” Henrique Rojas - “O Homem Light. Uma Vida sem Valores” 4- “Somos todos pós-modernos? A resposta é sim se comungamos essa angústia, essa frustração frente aos sonhos idílicos da modernidade. Quem diria que a revolução russa terminaria em gulags, a chinesa em capitalismo de Estado; e tantos partidos de esquerda assumiriam o poder como o violinista que pega o instrumento com a esquerda e toca com a direita? Nenhum sistema filosófico resiste, hoje, à mercantilização da sociedade: a arte virou moda; a moda, improviso; o improviso, esperteza. As transgressões já não são exceções, e sim regras. O avanço da tecnologia, dainformatização, da robótica, a gloogleatização da cultura, a telecelularização das relações humanas, a banalização da violência, são fatores que nos mergulham em atitudes e formas de pensar pessimistas e provocadoras, anárquicas e conservadoras.” Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais [Autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros]. 5- “A modernidade representou uma dominação da razão. Em contraparte, a pós-modernidade representou o retorno de uma pluralidade, ou seja, também um retorno da emoção, da 'magia', da afetividade. Enfim, uma volta do que se perdeu na modernidade, que tentou racionalizar todos esses aspectos. [...]- Não faço uma crítica unicamente aos marxistas. Faço uma crítica aos marxistas e aos positivistas. Pois tanto uns quanto os outros, continuam presos ao esquema analítico do século 19. O legado desse esquema analítico é o racionalismo. Mas não quero fazer só uma crítica da razão e do racionalismo. Quero completar a razão com o sensível.” Michel Maffesoli , sociólogo, autor : MODERNIDADE X PÓS-MODERNIDADE, "Elogio da Razão Sensível" 6- “(...) Outros adotaram a mística do pós-modernismo, que se esforça para cultivar a ignorância da história e da cultura modernas e se manifesta como se todos os sentimentos humanos, toda a expressividade, atividade, sexualidade e senso de comunidade acabassem de ser inventados – pelos pós-modernistas – e fossem desconhecidos, ou mesmo inconcebíveis até a semana passada. “ Marshall Berman autor de “Tudo que è sólido desmancha no ar – A aventura da modernidade”

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Modelo Autorização Paranapiacaba

Aula aberta em Paranapiacaba – data / / EVENTO NÃO OBRIGATÓRIO Encontro/Saída : 8:00 hs Porta EE Oswaldo Aranha Roteiro : Ônibus Av Sto Amaro até Terminal Bandeira, caminhada até Estação Luz, trem até Ribeirão Pires, ônibus até Paranapiacaba – Volta mesmo roteiro Duração ; até o final da tarde. Necessário : AUTORIZAÇÃO DOS PAIS/RESPONSÁVEIS Quanto custa ? Transporte + Almoço : Sugestão R$ 30,00 Autorização : Eu _____________________________________RG_______________________________( grau de parentesco)________________ Responsável pelo(a) aluno(a) autorizo a participação do meu filho(a) (outro grau de parentesco) ___________ Nome do(a) Aluno(a) __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Na Aula Aberta em Paranapiacaba no dia / / Assinatura :_________________________________________________________________

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um quinto dos jovens nem estuda, nem trabalha, nem busca emprego

Um quinto dos jovens nem estuda, nem trabalha, nem busca emprego Jornal O GLOBO 15/09/12 São 5,3 milhões os brasileiros entre 18 e 25 anos que estão fora da educação formal e do mercado de trabalho, quase a população da Dinamarca RIO e SÃO PAULO — Para Letícia Protásio, “os dias passam devagar”. “Sobra tempo para ver as coisas do bebê”. Sobra tempo porque a jovem de 20 anos não está estudando, tampouco trabalha, e muito menos procura emprego (“Quem vai empregar uma grávida?”). Ela é um dos 5,3 milhões de jovens, entre 18 e 25 anos, que estão fora da educação formal e do mercado de trabalho — quase a população da Dinamarca. Um problema que atinge um em cada cinco jovens (ou 19,5% dos 27,3 milhões de pessoas dessa faixa etária), aponta o estudo exclusivo “Juventude, desigualdades e o futuro do Rio de Janeiro”, coordenado pelo professor Adalberto Cardoso, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ele teve por base microdados do Censo Demográfico de 2010, do IBGE. As razões que levaram Letícia a interromper os estudos e largar o emprego passam pela maternidade — um dos principais motivos para as mulheres abandonarem os estudos e adiarem a entrada no mercado de trabalho. Pelos dados do especialista do Iesp, o número de moças que fica em casa é quase o dobro do dos rapazes: respectivamente, 3,5 milhões e 1,8 milhão. Mas a maternidade não é a única explicação. O forte desalento, segundo Cardoso, ajuda a entender os números alarmantes. Que ficam mais graves quando se leva em conta que, em 2010, ano do Censo, a economia brasileira cresceu 7,5%. — Esses jovens que ficam fora têm qualificação muito ruim. Tão ruim que, ao abandonarem a escola, o mercado de trabalho, mesmo em plena atividade, não os absorve. Resultado: eles desistem, e são os pobres os mais afetados — disse Cardoso, acrescentando que esse fenômeno é muito urbano. — Entram nesses números os jovens que foram puxados para a criminalidade. Na parcela mais pobre da população brasileira, com renda per capita de até R$ 77,75, quase metade (ou 46,2%) dos jovens estava fora da escola e do mercado de trabalho. — A escola não consegue atrair o jovem, levando a uma elevada evasão escolar. Em consequência, ingressar no mercado de trabalho vai ficando mais e mais difícil — explicou Cardoso. Professor vê desalento estrutural O gargalo, segundo o professor Fernando de Holanda Filho, da Fundação Getulio Vargas (FGV), está na baixa taxa de matrícula do ensino médio. Hoje, segundo ele, ao menos 50% dos jovens trabalham sem ter nível médio: — Quando vão para o mercado de trabalho, não conseguem se colocar. Esse cenário cria um desalento estrutural, que se complica a cada ano. É um problema de longo prazo. O paulistano Eduardo Victorelli, de 22 anos, não terminou o ensino médio e não buscou cursos técnicos ou profissionalizantes depois que largou a escola, aos 17 anos. Embora pareça ter um futuro incerto, ele afirma com segurança que será jogador de futebol: — Meus pais e minha família me apoiam e conseguem pagar as contas. Acreditamos que o salário de jogador mudará nossa vida. Ele largou a escola para ir ao Paraná, tentar jogar no Coritiba. Mas o salário não bastaria para comer, morar e viver em outro estado, e voltou para São Paulo. Desde então, jogou em dois pequenos times. Ele mora em Sapopemba, bairro simples da Zona Leste, com os pais, avós e tios. O afastamento dos estudos e do trabalho vai comprometer — e muito — o futuro desses jovens, diz Cardoso: — Parte dessas pessoas vai se colocar como assalariado sem carteira assinada. Esse jovem de hoje vai carregar o peso desse abandono pelo resto da vida — disse Cardoso. Letícia vive com o namorado, que ganha R$ 1.500 por mês como divulgador. Em Jacarepaguá, eles têm o apoio da avó e da mãe dele. — Sei que agora vou ter que ficar em casa, cuidando do meu filho. Talvez por um, dois anos. Para Hildete Pereira, coordenadora do Núcleo Transdisciplinar de Estudos de Gênero da UFF, faltam políticas públicas de controle da natalidade e apoio para cuidar de crianças. A cobertura de creches passou de 7% das crianças de 0 a 3 anos em 2000 para 21% em 2011: — Melhorou, mas ainda há déficit. Enquanto isso, país amarga escassez de mão de obra O contingente de 5,3 milhões de jovens inativos no Brasil ocorre num momento em que o país tem baixas taxas de desemprego e os empresários se queixam de escassez de mão de obra. — É um desperdício de recurso, especialmente no momento econômico do país — disse Naércio Menezes, professor de economia do Insper, acrescentando que, quando o jovem deixa de enxergar os benefícios da educação, ele deixa de ter um futuro melhor. Essa geração perdida vai fazer falta para um crescimento sustentado, advertiu Paulo Levy, economista do Ipea. Ele explica que as empresas terão que aumentar a produtividade dos que estão trabalhando. Mas o crescimento econômico do país também permite que uma ínfima parcela desse contingente tenha respaldo em casa para pensar na carreira. Além disso, na chamada “geração canguru” os jovens deixam a casa dos pais mais tarde. Nesse universo, estão pessoas que se preparam para concursos públicos ou tiram um sabático para viajar. O Iesp-Uerj só considerou quem não frequenta a educação formal. Natália de Miranda, de 24 anos, estuda em casa para o concurso para magistratura do trabalho: — Estudo de seis a oito horas por dia e, muitas vezes, ainda ouço que não estou fazendo nada. Mas o cenário pode ser ainda pior. Ao incluir os jovens que buscam trabalho mas não conseguem, os 5,3 milhões saltam para 7,2 milhões. Ou seja, a cada quatro jovens entre 18 e 25 anos, um está parado. http://oglobo.globo.com/economia/um-quinto-dos-jovens-nem-estuda-nem-trabalha-nem-busca-emprego-6109028#ixzz26esIk2Ox .