sexta-feira, 4 de maio de 2012
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terça-feira, 24 de abril de 2012
SÍRIA: POR QUE ASSAD NÃO CAI
Guerra civil recrudesce, e ONU condena tirania, mas Immanuel Wallerstein analisa: pressão internacional por sua derrubada não passa de retórica
Por Immanuel Wallerstein | Tradução: Antonio Martins
O presidente sírio, Bachar al-Assad suporta o peso de ser um dos homens menos populares no mundo. É apontado como tirano – um tirano muito sangrento – por quase todos. Mesmos os governos que se recusam a denunciá-lo parecem aconselhá-lo a conter a repressão e fazer algum tipo de concessão política a seus oponentes internos.
Mas como ele pode ignorar todos estes conselhos e continuar a aplicar força máxima para manter o controle político de seu país? Por que não há nenhuma intervenção externa, para provocar sua derrubada? Para responder a estas questões, vamos começar reconhecendo suas forças. Primeiro, ele tem um exército razoavelmente poderoso; e até agora, com poucas exceções, o exército e outras estruturas de força na Síria permanecem leais ao regime. Além disso, ele ainda parece ter o apoio de ao menos metade da população, naquilo que está sendo descrito, cada vez mais, como uma guerra civil.
Os postos-chaves do governo e nos quadros do exército estão em mãos dos alawitas, uma ala do Islã xiita. São uma minoria entre a população e certamente temem o que pode lhes suceder se as forças de oposição, largamente sunitas, tomarem o poder. Além disso, as outras forças de minoria significativas – cristãos, drusos e curdos – também parecem temer um governo sunita. Por fim, a ampla burguesia mercantil ainda não se voltou contra o regime do Partido Baath.
Mas isso é suficiente? Se fosse tudo, duvido que Assad pudesse manter-se por muito tempo. O regime está sendo pressionado economicamente. O Exército Sírio Livre, na oposição, está sendo abastecido de armamentos pelos sunitas iraquianos e provavelmente pelo Qatar. O coro de denúncias na imprensa mundial, e em grupos políticos de múltiplas tendências, cresce a cada dia.
Ainda assim, não creio que encontremos, em um ano ou dois, Assad fora do poder, ou o regime substancialmente mudado. A razão é que aqueles que mais o denunciam não desejam de fato que ele vá. Vamos analisá-los um por um.
Arábia Saudita: o ministro do Exterior disse ao New York Times que “a violência tem de ser interrompida e o governo sírio não merece mais nenhuma chance”. Parece de fato duro, até que se leia o adendo: “a intervenção internacional deve ser descartada”. O fato é que a Arábia Saudita quer o crédito por se opor a Assad mas teme muito o que poderá sucedê-lo. Sabe que numa Síria pós-Assad (provavelmente, muito caótica), a Al Qaeda encontraria uma base; e que o objetivo número um da Al Qaeda é derrubar o regime saudita. Logo, “sem intervenção internacional”.
Israel: sim, os israelenses continuam obcecados com o Irã. E sim, a Síria baathista continua sendo um poder favorável ao Irã. Mas no frigir dos ovos, a Síria tem sido um vizinho árabe relativamente tranquilo, uma ilha de estabilidade para os israelenses. Sim, os sírios ajudam o Hezbollah, mas o Hezbollah também tem se mantido quieto. Por que os israelenses desejariam correr o risco de uma Síria pós-baathista turbulenta? Quem assumiria o poder? Seja quem for, não teria que reforçar suas credenciais ampliando a jihad contra Israel? E a queda de Assad não abalaria a estabilidade relativa que o Líbano parece agora desfrutar? Isso não terminaria reforçando e renovando o radicalismo do Hezbollah? Israel teria muito a perder, e não muito a ganhar, se Assad caísse.
Estados Unidos: a Casa Branca fala grosso. Mas você percebeu como ela é cautelosa, na prática? OWashington Post deu, a um artigo de 11/2, o título: “Massacre consuma-se, mas EUA não veem ‘nenhuma opção’ na Síria”. O texto frisa que Washington “não tem apetite para uma intervenção militar”. Nenhum apetite, apesar da pressão de intelectuais neocons como Charles Krauthammer – suficientemente honesto para admitir que “não se trata apenas de liberdade”. Trata-se, ele diz, de desconstruir o regime iraniano.
Mas não é exatamente por isso que Obama e seus conselheiros não veem alternativas?Eles foram pressionados para aderir à operação na Líbia. Os EUA não perderam muitas vidas, mas será que obtiveram alguma vantagem geopolítica? O novo regime líbio – se é que há um novo regime líbio – será melhor que o anterior? Ou é o começo de uma longa instabilidade interna, como a que abalou o Iraque?
Posso imaginar o suspiro de alívio em Washington, quando a Rússia vetou a resolução da ONU sobre a Síria. A pressão para iniciar uma intervenção de estilo líbio foi suspensa. Obama foi protegido, pelo veto russo, da pressão republicana em torno do tema. E Susan Rice, a embaixadora dos EUA junto à ONU, pôde jogar toda a culpa em Moscou. Eles foram “repugnantes”, disse ela, oh, tão diplomática.
França: Sempre nostálgico do papel outrora dominante de seu país na Síria, o ministro do Exterior, Alain Juppé, grita e denuncia. Mas tropas? Você só pode estar brincando. Há uma eleição à vista, e enviar soldados não renderia voto algum – especialmente porque, ao contrário da Líbia, não seria um passeio.
Turquia: o país ampliou de forma inacreditável suas relações com o mundo árabe, na última década. Ele está de fato descontente com uma guerra civil em suas fronteiras. Adoraria algum tipo de acordo político. Mas o ministro do Exterior, Ahmet Davutoglu teria garantido que “a Turquia não provê armas nem apoia desertores do exército”. Os turcos desejam, basicamente, ter boas relações com todas as partes. Além disso, a Turquia tem sua própria questão curda e a Síria poderia oferecer apoio ativo a esta minoria – o que, até agora, ela se absteve de fazer.
Portanto, quem quer intervir na Síria? Talvez, o Qatar. Mas o país, embora rico, está longe de ser uma potência militar. O ponto de partida é que, ainda que a retórica seja dura; e a guerra civil, feia, ninguém quer de fato que Assad vá. Por isso, tudo indica que ele ficará.
http://rnblogprog.org/2012/02/26/siria-por-que-assad-nao-cai/
Immanuel Maurice Wallerstein sociólogo estadunidense, mais conhecido pela sua contribuição fundadora para a teoria do sistema-mundo. Seus comentários bimensais sobre questões globais são distribuídos pela Agence Global para publicações como Le Monde diplomatique e The Nation.[1] No Brasil, seus artigos são publicados na revista Fórum e na revista virtual Outras Palavras.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Hist Brasil Colônia - Links
Navegar é preciso
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Tráfico negreiro
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terça-feira, 3 de abril de 2012
Equipe de paz da ONU deve chegar à Síria em dois dias
http://topicos.estadao.com.br/siria
O ESTADO DE SP 03 Abril 2012
Equipe de paz da ONU deve chegar à Síria em dois dias
Ideia é discutir a distribuição de observadores para monitorar o cessar-fogo na Síria, afirmou o
porta-voz de Kofi Annan, Ahmad Fawzi
03 de abril de 2012 | 10h 46
GENEBRA - Uma equipe antecipada do departamento de manutenção de paz da
Organização das Nações Unidas (ONU) deve chegar a Damasco dentro de 48 horas para
discutir a distribuição de observadores para monitorar o cessar-fogo na Síria, afirmou o
porta-voz do mediador internacional Kofi Annan, Ahmad Fawzi, nesta terça-feira, 3.
"Uma missão de planejamento do
Departamento de Operações de Manutenção
de Paz (DPKO, sigla em inglês) deve chegar a
Damasco dentro de 48 horas", disse o portavoz de Annan à Reuters, em Genebra.
Como parte de um plano de paz de seis partes apresentado por Annan para acabar com os
confrontos, tropas de manutenção de paz da ONU estão planejando uma missão de
monitoramento do cessar-fogo composta por cerca de 200 a 250 observadores
desarmados.
A Síria prometeu retirar todas unidades militares das cidades até 10 de abril para abrir
caminho para um cessar-fogo com rebeldes dois dias depois, apesar de enviados ocidentais
estarem céticos quanto à intenção do governo sírio de acabar com a sua repressão de mais
de um ano a seus oponentes.
Annan, enviado conjunto da Liga árabe e da ONU que está baseado na Suíça, fez um
discurso para o Conselho de Segurança sobre o prazo por videoconferência na segundafeira.
"O senhor Annan está agradecido pelo apoio russo e chinês e a unidade que o Conselho de
Segurança mostrou novamente em apoiar seu plano e garantindo a sua implementação",
afirmou Fawzi.
O ESTADO DE SP 03 Abril 2012
Equipe de paz da ONU deve chegar à Síria em dois dias
Ideia é discutir a distribuição de observadores para monitorar o cessar-fogo na Síria, afirmou o
porta-voz de Kofi Annan, Ahmad Fawzi
03 de abril de 2012 | 10h 46
GENEBRA - Uma equipe antecipada do departamento de manutenção de paz da
Organização das Nações Unidas (ONU) deve chegar a Damasco dentro de 48 horas para
discutir a distribuição de observadores para monitorar o cessar-fogo na Síria, afirmou o
porta-voz do mediador internacional Kofi Annan, Ahmad Fawzi, nesta terça-feira, 3.
"Uma missão de planejamento do
Departamento de Operações de Manutenção
de Paz (DPKO, sigla em inglês) deve chegar a
Damasco dentro de 48 horas", disse o portavoz de Annan à Reuters, em Genebra.
Como parte de um plano de paz de seis partes apresentado por Annan para acabar com os
confrontos, tropas de manutenção de paz da ONU estão planejando uma missão de
monitoramento do cessar-fogo composta por cerca de 200 a 250 observadores
desarmados.
A Síria prometeu retirar todas unidades militares das cidades até 10 de abril para abrir
caminho para um cessar-fogo com rebeldes dois dias depois, apesar de enviados ocidentais
estarem céticos quanto à intenção do governo sírio de acabar com a sua repressão de mais
de um ano a seus oponentes.
Annan, enviado conjunto da Liga árabe e da ONU que está baseado na Suíça, fez um
discurso para o Conselho de Segurança sobre o prazo por videoconferência na segundafeira.
"O senhor Annan está agradecido pelo apoio russo e chinês e a unidade que o Conselho de
Segurança mostrou novamente em apoiar seu plano e garantindo a sua implementação",
afirmou Fawzi.
terça-feira, 13 de março de 2012
Parlamento do Egito pede que governo revise acordos com Israel
12/03/2012 - 17h59
Parlamento do Egito pede que governo revise acordos com Israel
Folha São Paulo - DA EFE, NO CAIRO
A Assembleia do Povo do Parlamento do Egito pediu ao governo do país a revisão de todas as relações e acordos com o Estado de Israel, a primeira medida do gênero após a renúncia do ditador Hosni Mubarak, em janeiro de 2011.
Os congressistas da câmara baixa da casa, equivalente à Câmara de Deputados brasileira, qualificaram o país judeu como "inimigo número um do Egito e do mundo árabe". Após as eleições de janeiro, a casa ganhou maioria de militantes islâmicos, especialmente da coalizão formada pelo grupo Irmãos Muçulmanos.
Os parlamentares também aprovaram uma resolução que pede a expulsão do embaixador israelense no Cairo e a retirada do corpo diplomático egípcio de Israel. Apesar das aprovações, a Junta militar ainda possui o poder na política internacional e afirmou em diferentes ocasiões que não pretende reavaliar os tratados internacionais.
ENTIDADE SIONISTA
O documento, que chama Israel de "entidade sionista", contém oito pontos que marcam uma mudança na política egípcia no Oriente Médio.
Além de considerar Israel o principal inimigo do país e pedir a interrupção das relações diplomáticas, exige o fim imediato do envio de gás ao país e a revisão do acordo de não proliferação de armas nucleares enquanto o país judeu não assinar o documento.
A resolução também menciona os Estados Unidos, pedindo que os americanos e a comunidade internacional atuem "com seriedade" ante o perigo nuclear israelense da mesma forma que fazem com o Irã e diz que Israel é "extensão natural" americana.
O motivo apontado para a aprovação da moção contra Israel são os bombardeios israelenses contra a faixa de Gaza que, desde sexta-feira, já provocaram a morte de pelo menos 23 pessoas e ferimentos em outras 70.
A paz entre Egito e Israel foi assinada em 1978, através do contrato de Camp David. Com a queda de Mubarak, aumentou a hostilidade contra Israel e os ataques aos gasodutos que ligam os dois países.
Assad rejeita propostas da ONU e tropas atacam Idlib
10/03/2012 - 18h40 Assad rejeita propostas da ONU e tropas atacam IdlibFolha de São Paulo DA REUTERS, EM BEIRUTE O presidente sírio, Bashar al-Assad, disse neste sábado ao enviado especial conjunto da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, que não há nenhuma possibilidade de uma solução política na Síria enquanto grupos "terroristas" estiverem tentando desestabilizar o país."A Síria está pronta para garantir o êxito de qualquer esforço honesto para encontrar uma solução para os acontecimentos que ela está testemunhando", afirmou Assad, de acordo com a agência de notícias estatal SANA. "Nenhum diálogo político ou atividade política poderão ser bem sucedidos enquanto houver grupos terroristas armados operando e espalhando o caos e a instabilidade", disse o líder sírio depois de cerca de duas horas de reunião com o ex-secretário geral da Organização das Nações Unidas. Um porta-voz da ONU disse que Annan havia feito propostas a Assad para acabar com a violência e os assassinatos, permitir o acesso das agências humanitárias, libertar os detidos e iniciar um diálogo político na Síria. As conversações foram "sinceras e abrangentes", teria dito Annan. Ele vai se encontrar com o presidente Assad novamente no domingo, antes de deixar a Síria para visitar o Catar. Mais tarde neste sábado, Annan se encontrou com líderes da oposição, jovens ativistas e empresários. Milhares de pessoas já morreram na Síria desde que uma revolta popular contra Assad começou há um ano. Segundo a ONU, esse número já passa de 7.500 vítimas. Enquanto Annan e Assad discutiam a crise, tropas sírias atacavam a cidade de Idlib, um reduto rebelde. "Forças do regime acabaram de entrar em Idlib com tanques e bombardeios pesados estão ocorrendo agora", disse um ativista local por telefone. O barulho das explosões podia ser ouvido durante a chamada. Dezesseis combatentes rebeldes, sete soldados e quatro civis foram mortos durante o combate em Idlib, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que afirmou que outras 15 pessoas, incluindo três soldados, morreram devido à violência em outra localidade. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que se encontrou com Annan no Egito mais cedo neste sábado, disse à Liga Árabe que o seu país "não estava protegendo nenhum regime", mas que não acreditava que a crise Síria fosse culpa de apenas um dos lados. Ele pediu um cessar-fogo e o acesso de ajuda humanitária, mas o Catar e a Arábia Saudita criticaram fortemente a posição de Moscou. Annan, que também se reuniu com Hassan Abdulazim, um antigo oponente de Assad, pediu que se encontrasse uma solução política, mas muitos líderes da oposição dizem que o momento para o diálogo já passou há muito tempo. "A violência precisa cessar e os presos devem ser libertados para que um período de transição seja negociado", disse Abdulazim depois da reunião. "Não haverá nenhuma solução para a crise enquanto houver violência, matanças, prisões e ameaças." O Conselho Nacional Sírio que está no exílio disse em um comunicado no seu site que qualquer diálogo está descartado enquanto Assad estiver no poder. A visita de Annan a Damasco aconteceu depois de um dia violento em que, segundo ativistas, as forças de Assad mataram pelo menos 72 pessoas ao bombardear partes da cidade rebelde de Homs, além de tentar dissuadir manifestantes e esmagar rebeldes em outras partes do país. |
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